Zina Entrevista: Zahra Kaebi
- Zina Magazine
- 17 de jul. de 2018
- 3 min de leitura
Por: Jéssica Alves
Foto: Cortesia Zahra Kaebi

É sempre bom conhecer novas culturas, a experiência de trocar conhecimento com outras pessoas, ouvir um outro ponto de vista e entender outros costumes é mágica! Por isso entrevistamos Zahra Kaebi, que nasceu no Brasil e tem família de origem iraquiana. Ela falou com a gente sobre moda, feminismo, religião e sua relação com o hijab. Confere agora essa entrevista exclusiva.
ZINA MAGAZINE: Quais as maiores diferenças entre Brasil e Iraque na sua opinião?
Zahra Kaebi: O Iraque é um país que tem muita história, era a Mesopotâmia, então era um país muito rico. Infelizmente, depois da guerra ficou muito destruído. O que eles ainda têm lá que ninguém tira são os lugares religiosos, os túmulos de imams, que são os sucessores do profeta Mohammad (que a paz esteja com ele). Por ser um país que segue a religião islâmica, as regras dela são respeitadas e que, pra algumas pessoas, é um empecilho já que não há “liberdade” como existe aqui no Brasil.
Além disso, aqui é comum as pessoas sempre saírem pra bares e festas, o que lá não acontece, já que não podemos beber.
ZM: Como é a sua relação com a moda?
ZK: Gosto e me interesso bastante pela moda, mas sempre adapto ela ao que posso usar e as condições impostas pela minha religião. Adoro vestidos e camisas, são as minhas peças favoritas!
ZM: Qual sua marca favorita?
ZK: Gosto de todas, porque a cada coleção eles variam as peças e nem sempre a marca X tem o tipo de roupa que posso usar.
ZM: O que você mais gosta no Brasil?
ZK: A simpatia das pessoas e o interesse que elas têm em conhecer novas culturas.
ZM: Muitas pessoas não entendem o motivo do uso do hijab, você pode explicar pra gente?
ZK: Vou explicar usando uma metáfora. Se você tem um diamante, você não vai mostrar ele para todos, certo?! Só vai mostrar para as pessoas que você realmente confia. A mulher no islamismo é uma joia rara e sua beleza é única. Sendo assim, nos preservamos usando o hijab e só mostramos a nossa beleza para a nossa família e nosso futuro marido. Uma dúvida comum é: quem pode ver a mulher sem o hijab? Todas as mulheres podem. Já homens, quem pode ver são: o pai, avô, bisavô, sogro, irmãos, tios (irmãos do pai ou da mãe), tios do pai ou da mãe, sobrinhos e os próprios filhos. Primos maiores de 10 anos não podem ver a mulher sem o hijab.
ZM: Qual o significado dele pra você?
ZK: Acredito que o hijab faz as pessoas prestarem atenção em mim pelo que faço, pelos ideais que apresento e se interessam por quem eu sou, não por quem eu mostro ser. Sinto que com ele sou mais forte, não preciso me esconder por ser muçulmana ou por seguir e representar a minha religião. Além disso, o hijab nunca me impediu de fazer algo, muito pelo contrário, abriu muitas portas para mim!
ZM: Existem muçulmanas que não usam o hijab, o que você acha disso?
ZK: Acredito que depende de cada pessoa, o jeito que ela foi criada e até mesmo o que ela acredita. Existem muitas que não usam o hijab e seguem fielmente a religião, assim como existem muitas que usam o hijab e infelizmente fazem pecados. Usar ou não usar o hijab é escolha da mulher.
ZM: O que você acha do feminismo islâmico?
ZK: Muitas pessoas não acreditam nisso, mas a religião islâmica é uma religião feminista. A mulher não tem obrigação nenhuma de ficar em casa, pra cuidar, limpar, cozinhar, etc. Muito pelo contrário, a religião incentiva as mulheres a adquirirem conhecimento, estudar e trabalhar. Vai de cada pessoa e casal definir isso. O que a mídia transmite sempre, de que a mulher muçulmana é oprimida por usar o lenço não é verdade. Existem muitas tribos no Afeganistão, por exemplo, que judiam das mulheres muçulmanas em nome da religião, quando na verdade a religião prega a paz sempre. Muitas pessoas falam que o hijab é uma forma de opressão e que ele tira a minha liberdade, ditando o que devo usar e não usar. Mas eu te pergunto: se eu tenho liberdade para usar o que quiser, por que não posso ter liberdade pra usar o meu hijab?




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